sábado, 17 de dezembro de 2011

Lista - Os Piores Filmes da História (ou de desde que eu nasci)

    Cheguei à conclusão que a maioria dos filmes que eu comento aqui, são, na maioria, comentários positivos. Notas 7, 8, 9, 10... E já chega, né? Vamos falar de filme ruim! Filme ruim, mesmo! Aqui vai a lista ''Os dez filmes que eu não recomendo nem para o meu pior inimigo!''. Vocês irão perceber que alguns filmes que sempre figuram nessa lista estarão de fora. 
    É o caso de filmes da Xuxa, Didi, Angélica, filmes babacas da Disney (aka ''High School Musical'' e derivados) e, claro, dos ''consagrados'' piores diretores do mundo: Uwe Boll (de ''Em Nome do Rei'') e a dupla Jason Friedberg e Aaron Seltzer (de ''Espartalhões''). Nem precisa falar que esses são ''bombas'' puras e sempre fortes candidatos ao Framboesa de Ouro.

10. Presságio (Knowing, 2009)

    Com a exceção ''Kick-ass'', qualquer coisa recente com o nome, citação ou lembrança de Nicolas Cage é uma bomba. A carreira do já ganhador do Oscar está no fundo do poço e de lá parece que não sai mais. O filme é uma bagunça. Parece que a lógica tirou umas férias da cabeça do roteirista. A história é sobre um professor (Cage) que encontra uma cápsula do tempo enterrada por alunos de décadas passadas em seu colégio. Em uma das cartas lá colocadas, estão algumas previsões de catástrofes. Umas que já ocorreram, outras que estão por vir. 
    O problema é que a partir daí, nada mais faz sentido! É tudo inexplicado, as coisas acontecem sem uma lógica aparente. Enfim, um roteiro furado. E a ''surpresa'' no final, não deixa de ser óbvia (pensei sobre aquilo em dado momento, mas achei que era estapafúrdio demais).
Nota: 2/10







9. Lenda Urbana (Urban Legend, 1998)

    Quando aluguei esse filme, confesso que tinha minhas esperanças. O gênero ''serial-killer-misterioso'' me agrada e por ter vindo da leva de filmes inspirados em ''Pânico''... Bem, eles podiam ter se inspirado nas partes boas, né? Mas não. O começo até é inspirador e a história sobre mortes relacionadas à lendas urbanas não deixa de ser intrigante. A construção do mistério chega a cativar, entretanto tudo o que vem depois... 
    O enredo se baseia em uma série de assassinatos dentro de um campus universitário, que parece ser de outro mundo, tamanha a falta de acesso à informação e segurança (ora, só tem um vigilante e ainda é uma gordinha estúpida). De resto, atuações desastrosas e um roteiro furadésimo.      Nota: 2/10







8. Tamara (Tamara, 2005)

    Mais um filme que se inspira em outro. Agora, é uma fotocópia mal-feita de ''O Chamado'' (Samara, Tamara; essa nem tentaram esconder). Tamara (Jenna Dewan) é uma garota não-popular que acaba morta em uma ''brincadeira'' exagerada de outros estudantes. Porém, a menina era uma amante da bruxaria e estava sob um poder (!) que lhe fazia ressurgir dos mortos (!!). Quem não faria isso, né, no caso de uma emergência...
     Já deu para ver o nível do ''filme''. Aí, claro ela parte para uma vingança. A direção é nula. O roteiro, lixo. As atuações estão no nível ''teatro-amador-de-escola-de-quinta''. Já as mortes, que poderiam trazer um pouco de diversão ou terror, são convencionais e bestas.        Nota: 2/10







7. Crepúsculo (Twilight, 2008)

    Não, eu não nasci odiando a saga. Fui assistir até ansioso ao filme, devido à filmografia anterior de sua diretora, Catherine Hardwicke, que possui o bom ''Aos Treze''. Mas não, não deu. Os focos de crítica são tantos que terei de me limitar à apenas alguns: as atuações constrangedoras (sem exceção), a direção amadora (poxa, Catherine, e eu fazendo propaganda?), um roteiro raso e desinteressante e, o que mais me espantou, a baixa qualidade técnica. 
    A fotografia é horrorosa, não sei de onde tiraram aquela ideia; os efeitos especiais, toscos, para uma saga tão ''arrasa-quarteirão'', e a maquiagem, caricata e desnecessariamente exagerada. Salva-se a trilha sonora (nem toda) e a boa introdução ao romance, lenta e sensata. A saga acabou aqui para mim.    Nota: 2/10







6. Jogos Mortais - O Final (Saw 3D, 2010)

    Já falei sobre esse aqui no blog, no post: Balanço de Dezembro (Parte I). Take a look.

Nota: 1/10















5. A Bruxa de Blair 2: O Livro das Sombras (Book of Shadows: Blair Witch 2, 2000)

    Um filme que consegue destruir, explodir, desaparecer com tudo que seu predecessor tinha de bom. O ganhador do Framboesa de Ouro de Pior Sequência e também indicado a Pior Filme, Pior Diretor e Pior Elenco é realmente ruim. A história: alguns jovens (idiotas, estereotipádos e sem QI, claro) resolvem descobrir o que ocorreu realmente com os três jovens do original. O típico horror teen brega e sem pretensões, que são das coisas mais nojentas de Hollywood.
    Não há suspense, não há mistério, é tudo superficial. Só há um punhado de gritos histéricos, cerveja e sexo. E o final-surpresa, ah, claro que ia ter um. Simplesmente ridículo. Com certeza o mais non-sense e sem graça da história do cinema. Corram para as colinas!    Nota: 1/10









4. Mulher-Gato (Catwoman, 2004)    

    Esse ainda é da era que os estúdios achavam que um filme de super-heroi, mesmo que mal-feito, daria bons lucros. E, surpresa, o público não é tão burro e esse aqui, pelo menos, foi um fracasso de bilheteria. O que talvez abriu os olhos dos magnatas de Hollywood.
    Primeiro, por que diabos mudar o nome da Mulher-Gato para Patience Phillips?! Segundo, um ex-supervisor de efeitos especiais (Pitof) como diretor? Terceiro, copiar (mal) o enredo do Batman de 1989 sobre os cremes maléficos? Quarto, um casal de publicitários, gente normal, como vilões? Quinto, Halle Berry, por que esse rebolado ridículo e essas falas arranhadas alla miado? Não é para ridicularizar a heroína, como se ela fosse uma prostituta.
    Já deu para ver a porcaria que é, né? Junte isso à efeitos especiais péssimos, mais e mais pontos exóticos (ou seja, ridículos) do roteiro, e esse é o ganhador de quatro Framboesas. Michelle Pfeiffer, volte para nós!     Nota: 1/10





3. Jumper (idem, 2008)

    David Rice (Anakin... ops, Hayden Christensen) é um jovem que descobre que é um Jumper, alguém capaz de se teletransportar a qualquer lugar. E então, ele começa a se divertir com isso, usando de seu poder para atos estupidamente infantis (nem vale a pena citar). Toda essa infantilidade atrai a atenção de uma organização secreta que ambiciona exterminar os Jumpers.
    Tá, não deixa de ser interessante a ideia, ainda mais sendo dirigido por Doug Liman (de ''A Identidade Bourne''). Só que, aqui, nada dá certo. Hayden parece deslocado e seu par, Millie Harris, ganharia fácil o prêmio de mocinha mais chata do cinema. Tudo poderia ser salvo por emocionantes sequências de ação, né? Poderia. O que se vê é o personagem de Hayden se teletransportando de um lado para o outro em meio às lutas, de uma maneira totalmente confusa. Parecia que queriam causar torcicolo propositadamente. Passem longe.     Nota: 1/10




2. A Garota da Capa Vermelha (Red Riding Hood, 2011)

     Realmente, Catherine Hardwicke está do ladinho de Nicolas Cage no fundo do poço. Bebendo da fonte ''Crepúsculo'' e adicionando a história clássica da Chapeuzinho Vermelho (coitada dela, mencionada nisso...), ela conta a história de uma pequena vila, amaldiçoada por um lobisomem, que tem um interesse particular em Valerie (Amanda Seyfried). Daí começa a caçada para descobrir quem ele é.
     O roteiro até tenta se inspirar em Agatha Christie, mas o tiro sai pela culatra. O mistério é mal-desenvolvido, com sequências ridículas, como os closes nos olhos castanhos de todos os homens próximos a Valerie, cor esta que era a mesma dos olhos do lobisomem. Entretanto o pior de tudo é: você ri do lobisomem! Em certo momento, ao invés de atacar a sua vítima, ele simplesmente começa a conversar com ela! Só faltou convidar para um chá... Enfim, péssimo. Isso que nem citei a revelação final...      Nota: 1/10





1. Alma Diabólica (Dark Floors, 2008)

    Para mim, a nota zero é especial. Tem que ser para um filme merecedor, aquele que dói só em lembrar o nome. Que você foi até o fim somente para ver até que ponto a babaquice ia. Lhes apresento, ''Alma Diabólica''.
    Tudo começa quando Ben (Noah Huntley) resolve tirar sua filha autista do hospital em que estava, por achar que estavam sendo mal-atendidos. Mas é surpreendido, junto de outras pessoas (os estereótipos dos estereótipos), com a quebra do elevador. E quando as portas se abrem, o hospital está deserto e há corpos mutilados no corredor. Na busca pela saída, descobrem que não estão sozinhos, e sim acompanhados de criaturas assassinas ''terríveis''. 
     O problema é: tudo é risível. Os ''monstros'' são mal-compostos visualmente, parecendo que saíram de um episódio de Scooby-Doo e o diretor não se preocupa em criar momentos de tensão, apenas joga as cenas lá, tratando-nos como idiotas. E o pior é o roteiro, que não explica nada e não liga nada com lugar nenhum, chegando num final completamente babaca, cheio de pontas soltas. Isso você só descobre se não quiser quebrar o DVD antes disso. 
Nota: 0/10

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Crítica - Meia-Noite em Paris

 

    Aluguei ''Meia-Noite em Paris'' meio desacreditado. Woody Allen é um dos diretores mais famosos do mundo, porém nunca me conquistava. Comecei a assistir à sua filmografia por ''Vicky Cristina Barcelona''. O nome me interessou, o filme estava sendo bem-falado (sim, eu assisti na época de lançamento, quando nem sabia nem quem era, por exemplo, Stanley Kubrick). Quanto ao longa, achei um tédio. O roteiro não dá liga, a narração em off domina tempo demais da projeção e os personagens, estereótipos latinos. A opinião foi mantida mesmo após revisão.
   
    Daí veio o também elogiado ''Match Point'', um filme bonzinho, entretanto blasé. A minha terceira tentativa veio com ''Tiros na Broadway'', que talvez seja o meio termo. O filme mesmo, é fraco. Mas com tantas atuações fortes e memoráveis, é difícil dar um dislikeE então, depois de muita enrolação, desculpas e temor... Assisti à ''Meia-Noite em Paris''. E gostei.
    
    O filme conta a história de Gil (Owen Wilson, em uma, quem diria, atuação convincente), que é apaixonado por Paris e que está prestes a se casar com Inez (a sempre eficiente Rachel McAdams). A ''ação'' começa mesmo quando Gil, bêbado, resolve caminhar pela cidade e recebe um convite de dois estranhos para entrar em seu carro e ir a uma festa (é, ele aceita). Daí, por um motivo inexplicado (e, no fim, irrelevante), ele acaba sendo levado de volta aos anos 20 (época que sempre glorificou como os melhores anos da história) e encontra, na tal festa, todos os seus ídolos literários, artísticos e cinematográficos.


    São os Fitzgerald de um lado, Picasso de outro, Hemingway ali na ponta e até Buñuel. O mais notável é que esses astros não soam clichês (exceto o Dalí de Adrien Brody), mesclando o que se sabe deles por biografia com um algo a mais, uma outra visão (talvez de Allen). E é nesse enredo que mistura cinema, história e psicologia que o filme se desenvolve.

    No campo das atuações, destaque para a sempre bela e oscarizada Marion Cotillard, a também oscarizada Kathy Bates e os já citados Wilson e McAdams. O roteiro é bem-produzido, com alguns diálogos brilhantes. E Allen, isso é inegável, é um ótimo diretor e que sabe transformar Paris de bela em deslumbrante, através de sua lente. Mas o mais importante e digno de nota é a mensagem: valorize o presente e pare de querer ter vivido em outra época, porque lá, segundo Allen, eles viam suas vidas, tal qual você vê a sua: parte de uma geração inútil.


    O filme é redondinho, perfeito para a parcela do público médio e consumidor de ''arte''. O que faltou, talvez, foi um pouco de equilíbrio, um enfoque maior na comédia (gênero de todos os filmes dele e que, dessa vez, ficou devendo) e, principalmente, coragem. Uma ideia tão inspirada poderia ter rendido algo ainda maior, Allen quis apenas entreter, fazer ''arte''. Com um pouco mais de força teria criado, quem sabe, um clássico do novo milênio, e não um bom coadjuvante.    Nota: 8/10

Balanço de Dezembro (Parte I)

    Chegamos à metade do mês de Dezembro e, por isso, separei dez dos filmes aos quais assisti nesses quinze dias e os analisarei brevemente, com observações pontuais. Pretendo manter essa seção postando, sempre a cada quinze dias, textos como este. Bora lá...

10. Jogos Mortais - O Final (Saw 3D, 2010)


     O derradeiro (me engana, que eu gosto) capítulo da série infinita Jogos Mortais, dirigido (?) por Kevin Greutert, copia, sem tirar nem pôr, o que foi exibido desde o terceiro filme, só que muito, mas muito mesmo, pior (sim, cavaram um buraco ainda maior nesse poço). Dessa vez, ainda temos aquela primeira cena (tão boa, quanto ilógica) que nos engana,  já que nos leva a crer que a saga tinha encontrado um outro jeito de ser (com certeza, mais profícuo), o da auto-paródia assumida.   
Nota: 1/10





9. Drácula de Bram Stoker (Dracula, 1992)


    A adaptação do grande (mas, hoje, em pura decadência) Francis Ford Coppola para a história do Conde não deixou de decepcionar, mesmo com um elenco tão formidável, com Anthony Hopkins (ainda em boa fase), Gary Oldman (aqui, espetacular) e Winona Ryder. O diretor até tentou dar um toque pessoal, trazendo um visual interessante e intensificando a presença do amor (e do sexo) à obra. Mas não adiantou. O filme é fraco, com roteiro idem. Não empolga e não atrai.    Nota: 6/10







8. A Noite dos Mortos-Vivos (Night of the Living Dead, 1968)


    Toda a ideia do mestre do ''cinema-zumbi'' Romero nasce correta: um estudo do desespero humano, em meio à morte eminente caminhando junto aos mortos-vivos que cercam sua casa. Entretanto, as interpretações fracas afundam todo esse conceito, tornando o filme, muitas vezes, chato. A maquiagem, como sempre, é marcante e bem-feita, ainda mais pela época.
Nota: 6/10






7. Sobrenatural (Insidious, 2010)

    Do mesmo criador de Jogos Mortais (James Wan), o longa é um eficiente filme de terror, porém possui visíveis limitações. A história é a de um menino que entra em coma sem motivo biológico aparente. O motivo era espiritual, claro. O filme é bem dirigido e apresenta uma penca de sustos e momentos de tensão acima da média (principalmente mais para o final). O problema do filme está no roteiro, que intercala bons momentos (já citados) com outros simplesmente ''corta-clima'', até cômicos. Ou seja, você está todo tenso vendo o filme e, então, aparece uma cena simplesmente ridícula. Aí a tensão vai a zero.   Nota: 7/10




6. Árvore da Vida (The Tree of Life, 2011)

    O filme de Terrence Malick, ganhador da Palma de Ouro, mostra (na maior parte do tempo) a história de uma família cheia de problemas de relacionamento, o que, na verdade, é apenas uma parte de toda uma metáfora sobre vida, relação pai-filho e religião, entre outros temas. Essa mixagem de temas se dá de forma eficaz, com ajuda da brilhante Fotografia, nos brindando com algumas das melhores cenas do ano. Todavia, em alguns momentos, falta sutileza na direção de Malick, em outros, distanciamento.     Nota: 8/10




5. Enigma de Outro Mundo (The Thing, 1982)

    Mais um grande filme de John Carpenter, dessa vez, uma refilmagem da história de doze homens isolados numa estação de pesquisa na Antártida. Então, eles entram em contato com um organismo alienígena que assimila genuinamente a forma humana, depois de certo tempo de contato, transformando-se em uma cópia perfeita. Começa, então, um jogo de desconfianças para saber quem é o infectado. Magistralmente dirigido, com uma atuação surpreendente de Kurt Russell e um roteiro inspirado que trabalha bem a desconfiança, o egoísmo e as fraquezas humanas.           Nota: 8/10






4. Cinema Paradiso (Nuovo Cinema Paradiso, 1988)
   
    O clássico italiano de Giuseppe Tornatore, ganhador do Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira, conta a vida de Salvatore (e também dos moradores de sua cidade, por que não?) e seu envolvimento com o cinema, desde as entradas às escondidas na sala do projetor. Nos afeiçoamos ao filme logo no início, com a bela performance do pequeno Salvatore Cascio e, a partir daí, é pura emoção e amor à Sétima Arte. Filmaço.   Nota:8/10









3. O Gabinete do Dr. Caligari (Das Cabinet des Dr. Caligari, 1920)

    Junto de ''Nosferatu'', de Murnau, essa é a obra principal do Expressionismo Alemão no cinema. Dirigido por Robert Wiene, o longa impressiona pela força e vitalidade com que nos arrebata, mesmo depois de noventa anos de seu lançamento. O enredo é sobre um hipnotizador que chega à uma cidadezinha em meio à uma série de assassinatos que vinham ocorrendo por lá. O filme também é importante por apresentar um dos primeiro finais-surpresa da história. Belíssimo.   Nota: 8/10








2. Os 12 Macacos (Twelve Monkeys, 1995)

    O filme de Terry Gilliam é colossal. James Cole (Bruce Willis) é mandado de volta para o passado para colher informações sobre um vírus, lançado na Terra, que matou cinco bilhões de pessoas no planeta. Diversos problemas acontecem e surpresas e mais surpresas vão sendo reveladas pelo roteiro no decorrer do filme, até chegar em seu final, arrebatador. Roteiro brilhante, direção idem e uma atuação de Brad Pitt que lhe rendeu o Oscar para Ator Coadjuvante. Inteligente e obrigatório para os cinéfilos.    Nota: 8/10






1. Morangos Silvestres (Smultronstället, 1957)


    O filme do mestre Ingmar Bergman é uma análise sobre a vida, sobre o tempo que dedicamos a ela, sobre como usamos este tempo e sobre o valor empregado às coisas. Bergman conduz o filme com uma sensibilidade ímpar, mostrando maravilhosamente os devaneios e flashbacks de Isak Borg, um homem que sabe estar próximo à morte. O diretor disseca perfeitamente a memória humana: como guardamos uma lembrança vs. como ela realmente ocorreu. A qualidade da obra é provada quando desligamos o DVD e ficamos horas seguidas fazendo análises filosóficas e existenciais sobre nós mesmos. 
Nota: 9/10

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Lista - O que foi bom em 2010?

    Conversando com um amigo (cinéfilo também, claro), acabamos discutindo sobre o meu post sobre o Oscar 2011 e o Top10 dele para os filmes do ano passado. Aí me veio a ideia de fazer uma breve lista aqui também, quantos aos melhores filmes de 2010 para mim. Farei parênteses quanto ao desempenho de cada longa na premiação da Academia e no Globo de Ouro. 
    Dessa vez não farei breves análises de cada filme ao lado, por dois motivos: não alongar demais o post e preservar o filme para uma, quem sabe, crítica futura.





10. Incêndios (Incendies, 2010)




Direção: Denis Villeneuve

Origem: Canadá



(Indicado ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira)












9. Em Um Mundo Melhor (Hævnen, 2010)



Direção: 
Susanne Bier
Origem: Dinamarca/Suécia

(Vencedor do Oscar e Globo de Ouro na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira)











8. Kick-ass - Quebrando Tudo (Kick-ass, 2010)



Direção: Matthew Vaughn
Origem: EUA/UK 

(Ignorado pelos dois)












7. Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte I (Harry Potter and The Deathly Hallows: Part 1, 2010)


Diretor: David Yates
Origem: EUA/UK

(Indicado aos Oscars de Melhor Direção de Arte e Melhores Efeitos Visuais)










6. A Rede Social (The Social Network, 2010)


Direção: David Fincher
Origem: EUA

(Vencedor dos Oscars de Melhor Montagem, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Trilha Sonora; e indicado para Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (Jesse Eisenberg), Melhor Fotografia e Melhor Mixagem de Som.)  

(Vencedor dos Globos de Ouro de Melhor Filme - Drama, Melhor Diretor, Melhor Roteiro e Melhor Trilha Sonora; indicado a Melhor Ator - Drama (Jesse Eisenberg) e Melhor Ator Coadjuvante (Andrew Garfield).)




5. O Escritor Fantasma (The Ghost Writer, 2010)


Direção: Roman Polanski
Origem: Alemanha/França/UK

(ignorado por ambos)












4. Tropa de Elite 2 (2010)


Direção: José Padilha
Origem: Brasil

(Desclassificado para o Globo de Ouro por ter sido lançando antes da data-limite do regulamento da premiação e lutando por vaga no Oscar 2012)










3. Ilha do Medo (Shutter Island, 2010)


Direção: Martin Scorsese
Origem: EUA

(ignorado por ambos)












2. A Origem (Inception, 2010)



Direção: Christopher Nolan
Origem: EUA/UK


(Vencedor dos Oscars de Melhor Fotografia, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem de Som; indicado a Melhor Filme, Melhor Roteiro Original,  Melhor Direção de Arte e Melhor Trilha Sonora.)


(Indicado no Globo de Ouro a Melhor Filme - Drama, Melhor Diretor, Melhor Roteiro e Melhor Trilha Sonora)











1. Cisne Negro (Black Swam, 2010)




Direção: Darren Aronofsky
Origem: EUA


(Vencedor do Oscar de Melhor Atriz (Natalie Portman); indicado a Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Montagem e Melhor Fotografia.)


(Vencedor do Globo de Ouro de Melhor Atriz - Drama (Natalie Portman); indicado a Melhor Filme - Drama, Melhor Diretor e Melhor Atriz Coadjuvante (Mila Kunis))


P.S.: Filmes como O Discurso do Rei, O Vencedor, Scott Pilgrim Contra o Mundo, Toy Story 3, 127 Horas, Inverno da Alma e Como Treinar Seu Dragão também merecem uma lembrança.

Análise - Expectativas para 2012

    Não, não falarei sobre o fim do mundo, muito menos sobre o ''filme-bomba'' de Roland Emmerich sobre o fato. Aqui citarei os dez filmes que eu estou mais ansioso para assistir e que serão lançados em 2012. Considero de 2012 os filmes lançados em território nacional durante o ano, o que gerará alguns ''conflitos'' com a data oficial de lançamento do filme.

10. A Dama de Ferro (The Iron Lady, 2011)

   
    A minha vontade de assistir a esse aqui se resume a uma coisa: Meryl Streep. A deusa. Uma das melhores atrizes de todos os tempos, ganhadora de dois Oscars e seis Globos de Ouro (além de catorze indicações ao primeiro e dezessete ao segundo) durante seus mais de trinta anos de carreira. A recepção da crítica para essa adaptação da biografia de Margaret Thatcher tem sido morna (73% no Rotten Tomatoes), o que já era esperado pelo cargo de direção ser de Phyllida Lloyd, que possui em seu currículo unicamente o razoável e esquecível ''Mamma Mia!''. 
    Entretanto, Meryl (sempre ela) vem colecionando indicações e prêmios de Melhor Atriz em todos os Circuitos de Críticos e Jornalistas divulgados até agora, que são a base do que podemos esperar para as grande premiações. É, parece que ela veio pegar de volta a sua cadeira cativa no Oscar. E esperemos que com vitória. (Lançamento, no Brasil, em 03/02)

9. ''Tão Forte e Tão Perto'' (Extremely Loud and Incredibly Close, 2011)

 
    Aqui não é um ator ou atriz que me chama a atenção, e sim, seu diretor. Stephen Daldry já lançou três filmes em sua carreira, e por todos levou uma indicação para Melhor Diretor ao Oscar (sendo que dois deles foram indicados ao prêmio principal). Já dá para nascer uma expectativa, né? E ela só aumenta por saber que, além de reconhecidos, seus filmes anteriores (''Billy Elliot'', ''As Horas'' e ''O Leitor") são ótimos!
    A história aqui é de um menino (Thomas Horn) que encontra uma chave em um vaso de seu pai, morto nos atentados de 11 de Setembro, e então, começa a procurar a sua fechadura. O filme conta com nomes oscarizados como Sandra Bullock, Tom Hanks, Viola Davis (!!) e James Gandolfini. É esperar para ver! (Lançamento, no Brasil, em 02/03)

8. Os Descendentes (The Descendants, 2011)

    O novo filme de Alexander Payne (de ''Sideways - Entre Umas e Outras'') vem sendo bem avaliado pela crítica e conquistando muitas indicações e prêmios nesse início da ''temporada dos Awards''. E isso, claro, somado ao renome de seu diretor, já me dá vontade de comprar o ingresso.
    Um rico proprietário de terras (George Clooney), que mora com as suas duas filhas, descobre que sua mulher o traiu, e a partir daí vai em busca do amante e de sua mulher, para esclarecer tudo e unir a família novamente. A porcentagem de 89% no Rotten Tomatoes é até supérflua, já que o estímulo para assisti-lo já é grande. (Lançamento em 27/01)

7. O Artista (The Artist, 2011)

    O encontro entre um cineasta (Jean Dujardin, ganhador do prêmio de Melhor Ator em Cannes), temeroso pelo surgimento do cinema sonoro, e uma jovem atriz (Bérénice Bejo) que sonha em chegar ao sucesso. Ok, você pode ter lembrado de ''Cantando na Chuva''... Eu também lembrei. Até ''Crepúsculo dos Deuses'' me veio à memória. Porém, o filme de Michel Hazanavicious tem outros atrativos, e muitos.
    Primeiro, o filme é todo em P&B (preto e branco). Segundo, ele é mudo. Terceiro, ele foi feito em 2011, ora! Em pleno auge das pirotecnias de ''Transformers'' e semelhantes. E, pelo trailer, já vemos que se trata de uma grande homenagem aos filmes das décadas de 20 e 30. O longa, que vem dominando grande parcela dos prêmios já entregues (ao lado de ''Os Descendentes'' e ''A Árvore da Vida'') e que possui 95% de aprovação no Rotten Tomatoes, promete! (Lançamento, no Brasil, indefinido ); )

6. Prometheus (idem, 2012)

    Eu já falei sobre Alien aqui e que gosto da série, né? Então, que tal uma nova obra, baseada na série, e dirigida pelo seu próprio criador, Ridley Scott? Fantástico! No elenco: a oscarizada Charlize Teron, Michael Fassbender (a sensação atual, depois do novo X-Men), Patrick Wilson e Guy Pearce. 
    O longa que, claro, será um terror sci-fi, vem formando grande ansiedade tanto nos fãs de Alien, quanto nos cinéfilos. O que será que Ridley Scott está nos preparando, depois da chatice de ''Robin Hood''?  (Lançamento em 08/06)

5. Os Vingadores (The Avengers, 2012)


    Sim, sim, sim, sim! A Marvel irá filmar a sua ''Liga da Justiça''! A união do Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) com Capitão América (Chris Evans), Viúva Negra (Scarlett Johansson), Hulk (Mark Ruffalo, hehe), Thor (Chris Hemsworth) e Gavião Arqueiro (Jeremy Renner, eca) parece ser épica!
    A sinopse é óbvia: eles têm que salvar o mundo. Dessa vez, contra alienígenas. O temor de que saía algo mais ''Liga Extraordinária'' existe, inflado pelo fraco histórico de seu diretor Joss Whedon... Mas esperemos, no mínimo, um ''X-Men 2'', né? Para citar filmes com junção de herois.

4. A Invenção de Hugo Cabret (Hugo, 2011)

    Sim, crianças, Martin Scorsese em 3D! Só pelo nome de diretor, eu já compraria o ingresso na estreia de muitíssimo bom grado. Agora, somando isso à curiosidade de ver como o mestre incursionou no mundo da terceira dimensão e, por que não, no da ficção extraordinária... Só posso dizer que a ansiedade está bem forte!
    O filme é sobre um menino órfão (Asa Butterfield) que vive em uma estação de metrô e acaba se metendo em uma confusão envolvendo seu pai. Contando com um elenco estelar que inclui Chloe Moretz (<3), Ben Kingsley, Emily Mortimer, Christopher Lee, Jude Law e Sacha Baron Cohen; o filme, dos que correm na dianteira pela indicação ao Oscar principal, atrai também pela boa aceitação da crítica (93% no Rotten Tomatoes).
(Lançamento em 17/02)

3. Dark Shadows (idem, 2012)

    Tim Burton é um dos meus diretores favoritos. E agora parece que ele retornará à parte de seu ''estilo'' de filmes que eu mais amo: o gótico. Mais uma parceria com Johnny Depp, que nesta adaptação de uma série de TV (da qual Tim era fã, quando quiança) é Barnabas Collins, um vampiro, que vive em um mundo repleto de bruxas, lobisomens, etc. Bem halloween.
    A partir daí, é mistério. Já que a série teve cinco anos de exibição e não se sabe o quê será adaptado. Porém, nas mãos de Burton, já espero algo próximo do memorável ''A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça'', pelo menos no visual). O elenco é formado Chloe Moretz (ela, de novo *-*), Michelle Pfeiffer, Eva Green, Helena Bonham Carter (figura mais carimbada que o próprio Johnny nos filmes de seu marido) e Christopher Lee. (Lançamento, no Brasil, em 11/05)

2. Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (The Dark Knight Rises, 2012)

    O que esperar do encerramento da, por enquanto, melhor trilogia de super-heroi já feita? Ainda mais que seu diretor, Christopher Nolan, vem de um trabalho, no mínimo, excelente com A Origem e se despede do homem-morcego. Eu não sei o que esperar, mas no Nolan, eu confio.
    O vilão do momento é Bane (Tom Hardy), que teve suas capacidades físicas absurdamente aumentadas em um experimento científico. E Batman (Christian Bale) terá de enfrentá-lo. Ao que parece o elenco sofrerá adições e readmissões: Anne Hatawhay será a Mulher-Gato; Gary Oldman, Morgan Freeman e Michael Caine continuam em seus papéis; Liam Neeson retorna do primeiro filme, como Ra's Al Ghul (flashback, espero), tal qual Cillian Murphy, como Espantalho; Joseph Gordon-Levitt e Marion Cotillard também entram na turma. Um elenco espetacular, em puro eufemismo. Ansiedade a mil! (Lançamento em 27/07)

1. Hobbit: Uma Jornada Inesperada (The Hobbit: An Unexpected Journey, 2012)

    Se o último filme da trilogia de ''Senhor dos Anéis'' é o meu favorito da década de 2000, claro, óbvio, com certeza, eu estou morrendo de ansiedade para o filme de Peter Jackson (que também dirigiu a trilogia). E quer algo a mais? Guillermo del Toro co-roteirizou e chegou a encabeçar o projeto.
    A história é mais uma adaptação dos livros de Tolkien e anterior à jornada de Frodo. Se baseia em uma expedição feita pelo nosso conhecido Bilbo Bolseiro (Martin Freeman), mais um grupo de anões e Gandalf (vejam só, ele também está aqui) em busca de um tesouro guardado pelo dragão Smaug. Todavia, no meio da jornada (que já era complicada por si só), Bilbo encontra Gollum e... o Um Anel.
    No elenco, retornam Ian McKellen, Cate Blanchett, Orlando Bloom, Hugo Weaving e Christopher Lee (ora, elfos e magos vivem bastante), além de Ian Holm e Elijah Wood Será que vem mais um filmaço por aí? (Lançamento em 14/12)
    

P.S.: Também vale lembrar que, em janeiro, estreia a sequência de ''Sherlock Holmes'', de Guy Ritchie, e ''Precisamos Falar Sobre Kevin'', de Lynne Ramsay (bem-cotado para as premiações). Em fevereiro, chega ''Histórias Cruzadas'', de Tate Taylor, outro favorito na temporada de prêmios. Já em julho, é a vez do novo filme sobre o Homem Aranha, dirigido por Mark Webb (aquele do excelente ''[500] Dias com Ela''). Os filmes que serão lançados no fim de 2012, não foram cotados, pois, na maioria da vezes, visarão o Oscar 2013.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Crítica - Coraline e o Mundo Secreto

    
   Henry Selick é dos diretores mais competentes de Hollywood atualmente. E isso já foi demonstrado logo em seu primeiro filme, ''O Estranho Mundo de Jack'' (The Nightmare Before Christmas, 1993), que encantou o mundo com seu apuro técnico e beleza visual. Depois disso, veio o bom ''James e o Pêssego Gigante'' (James and the Giant Peach, 1996) e o dispensável e pouco conhecido ''Monkeybone - No Limite da Imaginação'' (Monkeybone, 2001). Confesso que achei que a carreira do diretor estava fadada ao fracasso e esquecimento depois deste filme. Ainda bem que estava errado, eis que nasce ''Coraline e o Mundo Secreto'', adaptação do livro de Neil Gaiman * (Coraline, 2009).
   
   Só pela sinopse já se sabe que não se trata de um filme qualquer e que viria coisa boa por aí: Coraline Jones (dublada por Dakota Fanning) é uma menina de onze anos, que acaba de se mudar para uma nova casa, distante de seus antigos amigos, a Mansão Cor de Rosa, situada em um isolado vale no Oregon. Como se não bastasse a solidão causada por isso, seus pais não lhe dão qualquer atenção, uma vez que estão sempre trabalhando. Porém, a garota possui espírito explorador e acaba encontrando, em sua casa, uma passagem para um mundo alternativo e aparentemente perfeito, onde seus pais são atenciosos, os vizinhos super-simpáticos, enfim, tudo é lindo e utópico.
   
   Tá, né, uma animação, com um mundo bonitinho e florido... Ok, bem infantil, né? Claro que não! É um filme do Selick e, aqui, o público alvo é, majoritariamente, o adulto. O enredo começa a tomar rumos assustadores, nada próximo ao divertido e leve mundo alternativo de ''Monstros S.A.'' (Monsters, Inc., 2001). Todos os personagens do longa são únicos e com toques de originalidade, desde as duas senhoras que moram próximas à garota, ex-estrelas do teatro, até o gato preto. Mas o que é mais impressionante é a técnica de stop-motion utilizada, praticamente não se nota que tudo ali é feito de 'massinha', é simplesmente maravilhoso! Difícil se imaginar que aquela técnica de ''A Fuga das Galinhas'' (Chicken Run, 2000) chegaria a tamanho apuro visual, se aproximando até mesmo de animações em CGI.
   
   Sim, o filme é belo visualmente, muito bem dirigido por Selick e possui um primeiro ato simplesmente apaixonante. Mas aí, deu problema. Se desde seu começo o filme se desenvolvia maravilhosamente, fugindo do lugar-comum e nos apresentando aquele mundo magnificamente, em sua resolução, ele derrapa. O filme toma uma vertente completamente diferente: parte para a correria e ação desenfreada, começando a apresentar até mesmo furos de lógica (nem o mais confiante vilão do mundo daria, quase que de graça, uma chance para a protagonista fugir de seus domínios). Cai no clichê do ''heroína fugindo da vilã/ heroína precisa encontrar aquela-coisa-importante para escapar'', o que é uma pena, para um filme tão belo visualmente e que possui toda uma primeira parte excelente.


   O que fica é um filme ótimo, mas que cai nos clichês, porém a magia da obra é tanta que, na hora de colocar na balança, você acaba até esquecendo desses problemas...      Nota: 8/10
   
   (Escrevi essa crítica à pedido do nosso amigo Zé. [palmas para o Zé] Quem quiser pedir para algum outro filme...)


* Informação lembrada por um leitor anônimo